Depois que a gente cresce, Lori, os medos mudam e, muitas vezes, aumentam. Sempre vamos ter medo de alguma coisa nessa vida, todo mundo tem medo de algo. Mas os medos tem proporções diferentes na vida de cada um de nós. E depois que você nasceu, descobri o que é ter medo de verdade.
Tenho medo da comida! E se você engasgar? E se te der alergia? E se estiver estragado?
Tenho medo das gavetas! E se você alcançar a faca? E se você enfiar um remédio na boca? E se você tomar varex?
Tenho medo dos cantinhos das mesas, dos móveis, de tudo. E se você cair e bater a cabeça bem ali naquela pontinha cruel?
Tenho medo do seu sono. E se você não estiver respirando direito? E se você se sufocar com as cobertas?
O problema é que é fisicamente impossível ficar grudada em você 24h por dia, e aprender a conviver com esses medos são uma estratégia básica para a sobrevivência na vida de uma mãe.
Uma vez você caiu do trocador, quando tinha 1 ano e 1 mês. Estava trocando sua camiseta e você estava com a pomada na mão. Segurei suas perninhas e me virei pra pegar a camiseta na gaveta, mas ela enroscou no botão de outra camiseta. Foi eu virar pra desenroscar tudo, a pomada caiu da sua mão e você se jogou no chão pra pegar. Foram os segundos mais compridos da minha vida. Vi você caindo e batendo as costas no chão. Coloquei o pé embaixo da sua cabeça pra impedir que batesse, mas você conseguiu enfiar a testa na quina na cômoda. Muitos minutos de choro seguidos por minutos de quase-desmaio e telefonemas desesperados à pediatra. Depois 15 minutos até o pronto socorro. Depois de 2 dias de vômito, enfrentamos 1 noite no hospital. Lori, aquilo sim é medo! Medo de acontecer alguma coisa terrível com você, por culpa da minha distração. Medo de ver você sentindo dor, tomando soro e não poder fazer nada pra aliviar seu sofrimento.
Quando eu estava grávida de você, bem no começo da gravidez, tive uma dor muito muito forte. Achei que estava te perdendo. Não costumo rezar muito, mas rezei. E acredito que alguém tenha me escutado, porque aqui está você: cheio de saúde e com um longo histórico de tombos e arranhões.
Tenho medo de não ser uma boa mãe. Será que quando você for adolescente você vai me odiar? Será que vou ser uma mãe chata e careta, que só da bronca e não tenta compreender os filhos?
Tenho medo das doenças, tenho medo de um dia não ter saúde suficiente pra cuidar de você.
Tenho medo de muita coisa nessa vida, mas meu medo maior é te perder. Todos os meus medos giram em torno desse principal.
Uma vez escrevi que ser mãe abre uma ferida na nossa alma que não fecha nunca mais.
Mas a felicidade por trás dessa ferida me faz ser forte, engolir os medos, pegar na sua mãozinha insegura e te guiar pelos caminhos que quero percorrer com você.
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