quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Mãe de todas as crianças do mundo;

Depois de dizer aos quatro ventos que nunca deixaria que você tivesse mais do que o necessário, acabo de sair de uma loja de brinquedos com a terceira caixa de Lego Duplo que eu sei que você não precisa. Não aprendi a ser a mãe que sempre almejei. Paciência! 
Você não anda comendo muito, desde os primeiros dias de calor do ano passado. Simplesmente deixou de comer tudo aquilo com o que você já estava acostumado e sempre gostou. Agora, nos primeiros meses de escolinha, está difícil te convencer a comer com as outras crianças (i bimbi). Testei todas as estratégias possíveis e imagináveis, nada funciona. Você só come o que estiver afim, e se não quiser nada daquilo que eu te oferecer, simplesmente fica sem comer. O que é realmente uma das coisas mais estressantes pra uma mãe. Te fiz por a mão na massa e fazer comigo a sua comida: fizemos pães, bolos, nhoque, fettuccine, quilos e quilos de pastas, verduras e afins. Você se diverte, mas depois não come. Sua pediatra me aconselhou a te deixar sem comer, que quando a fome bater você vai comer o que tiver na frente. Funciona em partes, e só de vez em quando. Mas eu não aprendi a ser uma mãe que deixa o filho sem comer, não sei ser assim. Porque penso em todas as crianças do mundo que não tem o que comer, nas mães que vêem seus filhos chorando de fome e não podem fazer nada. Imagino o desespero e a dor da fome. Você não precisa passar por isso. E, se eu pudesse, não deixaria que nenhuma criança passasse por isso. 
Graças a Deus você é uma criança carinhosa e adora beijos e abraços. Quer dizer, quando você era menor gostava mais, agora começou a limpar os meus beijos melados, mas nunca os rejeitou. E eu, que não sou boba nem nada, adoro ficar grudada com você e te encher de carinhos. Dificilmente perco a paciência e grito. E não apelo para os tapas. Te dou atenção quando você pede, nem que seja pra te dizer: "Agora a mamãe está conversando, te dou atenção em cinco minutos". Nunca te deixei chorar desconsolado. Mentira, quando você faz birra por um momento de frustração com o qual você não consegue lidar e acaba partindo pra agressão, te deixo chorar sim. Mas não acho que isso seja prejudicial pra você. Acredito que chorar pra extravasar um momento de raiva é válido, é muito importante pra aprender a lidar com os próprios sentimentos e se acalmar. Mas penso nas crianças que não tem amor, que crescem em uma casa onde não recebem beijos, abraços, ninguém lê histórias, ninguém brinca junto... Que bom poder ser sua mãe e te dar tudo isso. E, se eu pudesse, daria amor a todas as crianças que precisam. 
Luto todos os dias pra que você seja educado e responsável, que aprenda (no seu tempo) que cada ato tem uma consequência, e sou muito dura com a disciplina. Se usar a violência, vai perder algo que gosta (a atenção da mamãe, o livro preferido, o brinquedo que mais gosta). Se não obedecer à mamãe, mesma coisa. Conto até três pra que você faça algo que não quer fazer e, se chegar no três, te pego no colo e te faço obedecer na marra. Repito mil vezes por dia e vou continuar repetindo até quando precisar as palavras mágicas. Quando você termina de ver seu desenho preferido, peço que desligue a televisão e apague a luz. Não abro mão disso. E penso nas crianças que não tem regras, nem limites e se sentem perdidos em meio a tanta liberdade. Sentem que não tem alguém que zele por eles ou um "cercado" seguro onde poder crescer com tranquilidade. Por isso fico feliz em te mostrar a cada dia um caminho seguro e respeitoso pra que você cresça sempre mais.
Respeito seus sentimentos e te ensino a respeitar o sentimento dos outros. Quando você está triste ou com raiva, te deixo seu espaço. E quando está feliz, me alegro com você. Mas quando a mamãe está triste, peço pra que compreenda e possivelmente esteja do meu lado, mesmo que por poucos minutos. Que alegria ver em seu rosto a empatia crescendo! 
Todo Natal, desde que você cresceu, tento me controlar e comprar só um presente de Natal pra você, e um pro seu irmão. Até agora tem funcionado, espero que funcione esse ano também. Sei que você não precisa de mil brinquedos, e que ter muitas coisas é prejudicial para o crescimento. Me controlo como posso!
Mas peço que me perdoe, meu filho amado, quando erro por excesso. Espero que, quando você crescer, saiba que todos os meus erros foram tentativas de acertos, que nunca errei por não me importar, mas por me importar demais! Espero que você saiba que o amor às vezes faz com que façamos coisas exageradas e que isso faz parte de um sentimento assim tão profundo. Espero que você saiba que sempre fiz o que acreditava ser o melhor pra você. E que, não importa se um dia você reconheça meu esforços no fim das contas, só o que me importa nessa vida é que você seja imensamente feliz! Porque não posso ser mãe de todas as crianças do mundo, mas posso fazer o meu melhor pra que você seja uma das crianças mais felizes do mundo. 

Mamãe te ama. 


sábado, 11 de outubro de 2014

Primeira gripe desse inverno.

Mais um dia de gripe! Aproveito que você ainda não conseguiu dormir (e já são 00:19h), pra falar mais um pouquinho de você! 
Você conseguiu me pregar mais uma peça... Assim que me ouviu contando pro papai que tinha feito a inscrição da natação, tossiu. E já se passaram 4 dias! A natação pode esperar, meu amor...
Mesmo dodói você consegue ser um filho maravilhoso! Carinhoso, gentil, sorridente, brincalhão! Sou muito sortuda! Sempre quis muito ter um filho, mas NUNCA poderia imaginar que você seria assim tão perfeito pra mim! 

domingo, 31 de agosto de 2014

Lori by Stanley;

"Algumas pessoas podem achar estranho escrever para alguém que ainda não sabe ler, mas para tantos é normal escrever em diários que ninguém mais lerá.
Eu acompanho a tua história desde quando você ainda não existia. Fiquei feliz quando os teus pais começaram a namorar, vibrei quando tua mãe descobriu que estava grávida, acompanhei toda a gestação aqui do outro lado, comemorei o teu nascimento e desde então sigo os teus passos através da tua mãe.
A primeira vez que nos vimos foi pouco antes do teu batizado. Todos se encantavam por você. E não era apenas pelos olhos azuis hipnotizantes, não. Você era um bebê encantador.
Antes de voltarmos para casa passamos uma tarde na piscina e me admirei ao notar que você não se assustava ao ficar submerso, como a maioria dos bebês.
Um ano depois estávamos juntos novamente. Desta vez eram vocês que estavam no Brasil. Sua primeira visita.
Assim que entramos na casa da tua avó você se atirou no meu colo. “Ele me reconheceu!”, pensei todo contente. Logo depois nos disseram que você adorava fugir para o corredor e não te deixavam ir sozinho. Não foi difícil entender as tuas intenções.
E esta não foi a única vez que você se aproveitou de mim. Noutro dia, você sentou no meu colo e me estendeu o pé para que eu tirasse o teu tênis. Quando tirei o segundo pé, você se jogou no chão e saiu correndo, sem olhar para trás.
E das poucas recordações físicas que eu tenho, a mais bonita veio muito tempo antes do que eu esperava. Você, o teu irmão e a minha filha deitados um ao lado do outro assistindo desenho animado no iPad, como se falassem o mesmo idioma.

Espero ansioso para o dia em que vejo esta cena se repetir novamente."

domingo, 10 de agosto de 2014

Adulto tem mais medo;

Quando eu era pequena tinha medo do escuro. E ainda tenho! Tinha medo de fantasmas, de cobra e de (não vale rir!) barulho de descarga. Do que você tem medo, pequeno Lori? Sei que não gosta de entrar em quarto escuro e sempre me chama pra acender a luz e mandar o monstro (que você explica que está lá dentro fazendo: ROARRRR) embora. Você não é o tipo de criança que se joga da escada, ou que da a mão pra qualquer cachorrinho morder. Mas não chamo isso de medo, e sim de prudência. 
Depois que a gente cresce, Lori, os medos mudam e, muitas vezes, aumentam. Sempre vamos ter medo de alguma coisa nessa vida, todo mundo tem medo de algo. Mas os medos tem proporções diferentes na vida de cada um de nós. E depois que você nasceu, descobri o que é ter medo de verdade. 
Tenho medo da comida! E se você engasgar? E se te der alergia? E se estiver estragado? 
Tenho medo das gavetas! E se você alcançar a faca? E se você enfiar um remédio na boca? E se você tomar varex?
Tenho medo dos cantinhos das mesas, dos móveis, de tudo. E se você cair e bater a cabeça bem ali naquela pontinha cruel?
Tenho medo do seu sono. E se você não estiver respirando direito? E se você se sufocar com as cobertas? 
O problema é que é fisicamente impossível ficar grudada em você 24h por dia, e aprender a conviver com esses medos são uma estratégia básica para a sobrevivência na vida de uma mãe. 
Uma vez você caiu do trocador, quando tinha 1 ano e 1 mês. Estava trocando sua camiseta e você estava com a pomada na mão. Segurei suas perninhas e me virei pra pegar a camiseta na gaveta, mas ela enroscou no botão de outra camiseta. Foi eu virar pra desenroscar tudo, a pomada caiu da sua mão e você se jogou no chão pra pegar. Foram os segundos mais compridos da minha vida. Vi você caindo e batendo as costas no chão. Coloquei o pé embaixo da sua cabeça pra impedir que batesse, mas você conseguiu enfiar a testa na quina na cômoda. Muitos minutos de choro seguidos por minutos de quase-desmaio e telefonemas desesperados à pediatra. Depois 15 minutos até o pronto socorro. Depois de 2 dias de vômito, enfrentamos 1 noite no hospital. Lori, aquilo sim é medo! Medo de acontecer alguma coisa terrível com você, por culpa da minha distração. Medo de ver você sentindo dor, tomando soro e não poder fazer nada pra aliviar seu sofrimento. 
Quando eu estava grávida de você, bem no começo da gravidez, tive uma dor muito muito forte. Achei que estava te perdendo. Não costumo rezar muito, mas rezei. E acredito que alguém tenha me escutado, porque aqui está você: cheio de saúde e com um longo histórico de tombos e arranhões. 
Tenho medo de não ser uma boa mãe. Será que quando você for adolescente você vai me odiar? Será que vou ser uma mãe chata e careta, que só da bronca e não tenta compreender os filhos? 
Tenho medo das doenças, tenho medo de um dia não ter saúde suficiente pra cuidar de você. 
Tenho medo de muita coisa nessa vida, mas meu medo maior é te perder. Todos os meus medos giram em torno desse principal. 
Uma vez escrevi que ser mãe abre uma ferida na nossa alma que não fecha nunca mais. 
Mas a felicidade por trás dessa ferida me faz ser forte, engolir os medos, pegar na sua mãozinha insegura e te guiar pelos caminhos que quero percorrer com você. 

domingo, 3 de agosto de 2014

Amore mio! ❤️
Escrever pra você me emociona muito! 
Sempre te quis, mesmo antes de conhecer seu papai. Mas depois que conheci seu papai, te quis cada vez mais! Depois de 3 anos juntos, decidimos tentar ter um bebê e você veio morar dentro de mim 15 dias depois. Então, posso dizer com toda certeza que você sempre esteve comigo e sempre foi meu filho, mesmo antes de existir. Mas nunca, nem nos meus sonhos melhores, imaginei que você fosse esse filho tão MARAVILHOSO! 
Nesse exato momento você está dormindo e sonhando com o seu papai, o chamando e rindo. Hoje vocês estiveram juntos o dia inteiro e se divertiram muito na piscina. Enquanto todos dormem, eu te escrevo. Quero contar devagarzinho o que você representa na nossa vida e todos os momentos maravilhosos que passamos juntos. 
Sempre quis te escrever. Amo escrever sobre coisas boas e não existe nada de melhor na minha vida do que você. Espero do fundo do coração que um dia você leia essas palavras, pois vou escrever tudo com muito carinho especialmente pra que você saiba sempre, e pra sempre, o quanto te amo! 
Agora vou dormir também, porque amanhã vai ser uma dia lindo de sol e espero que a gente se divirta muito! 
Durma com Deus e sonhe com os anjos. ❤️