Você não anda comendo muito, desde os primeiros dias de calor do ano passado. Simplesmente deixou de comer tudo aquilo com o que você já estava acostumado e sempre gostou. Agora, nos primeiros meses de escolinha, está difícil te convencer a comer com as outras crianças (i bimbi). Testei todas as estratégias possíveis e imagináveis, nada funciona. Você só come o que estiver afim, e se não quiser nada daquilo que eu te oferecer, simplesmente fica sem comer. O que é realmente uma das coisas mais estressantes pra uma mãe. Te fiz por a mão na massa e fazer comigo a sua comida: fizemos pães, bolos, nhoque, fettuccine, quilos e quilos de pastas, verduras e afins. Você se diverte, mas depois não come. Sua pediatra me aconselhou a te deixar sem comer, que quando a fome bater você vai comer o que tiver na frente. Funciona em partes, e só de vez em quando. Mas eu não aprendi a ser uma mãe que deixa o filho sem comer, não sei ser assim. Porque penso em todas as crianças do mundo que não tem o que comer, nas mães que vêem seus filhos chorando de fome e não podem fazer nada. Imagino o desespero e a dor da fome. Você não precisa passar por isso. E, se eu pudesse, não deixaria que nenhuma criança passasse por isso.
Graças a Deus você é uma criança carinhosa e adora beijos e abraços. Quer dizer, quando você era menor gostava mais, agora começou a limpar os meus beijos melados, mas nunca os rejeitou. E eu, que não sou boba nem nada, adoro ficar grudada com você e te encher de carinhos. Dificilmente perco a paciência e grito. E não apelo para os tapas. Te dou atenção quando você pede, nem que seja pra te dizer: "Agora a mamãe está conversando, te dou atenção em cinco minutos". Nunca te deixei chorar desconsolado. Mentira, quando você faz birra por um momento de frustração com o qual você não consegue lidar e acaba partindo pra agressão, te deixo chorar sim. Mas não acho que isso seja prejudicial pra você. Acredito que chorar pra extravasar um momento de raiva é válido, é muito importante pra aprender a lidar com os próprios sentimentos e se acalmar. Mas penso nas crianças que não tem amor, que crescem em uma casa onde não recebem beijos, abraços, ninguém lê histórias, ninguém brinca junto... Que bom poder ser sua mãe e te dar tudo isso. E, se eu pudesse, daria amor a todas as crianças que precisam.
Luto todos os dias pra que você seja educado e responsável, que aprenda (no seu tempo) que cada ato tem uma consequência, e sou muito dura com a disciplina. Se usar a violência, vai perder algo que gosta (a atenção da mamãe, o livro preferido, o brinquedo que mais gosta). Se não obedecer à mamãe, mesma coisa. Conto até três pra que você faça algo que não quer fazer e, se chegar no três, te pego no colo e te faço obedecer na marra. Repito mil vezes por dia e vou continuar repetindo até quando precisar as palavras mágicas. Quando você termina de ver seu desenho preferido, peço que desligue a televisão e apague a luz. Não abro mão disso. E penso nas crianças que não tem regras, nem limites e se sentem perdidos em meio a tanta liberdade. Sentem que não tem alguém que zele por eles ou um "cercado" seguro onde poder crescer com tranquilidade. Por isso fico feliz em te mostrar a cada dia um caminho seguro e respeitoso pra que você cresça sempre mais.
Respeito seus sentimentos e te ensino a respeitar o sentimento dos outros. Quando você está triste ou com raiva, te deixo seu espaço. E quando está feliz, me alegro com você. Mas quando a mamãe está triste, peço pra que compreenda e possivelmente esteja do meu lado, mesmo que por poucos minutos. Que alegria ver em seu rosto a empatia crescendo!
Todo Natal, desde que você cresceu, tento me controlar e comprar só um presente de Natal pra você, e um pro seu irmão. Até agora tem funcionado, espero que funcione esse ano também. Sei que você não precisa de mil brinquedos, e que ter muitas coisas é prejudicial para o crescimento. Me controlo como posso!
Mas peço que me perdoe, meu filho amado, quando erro por excesso. Espero que, quando você crescer, saiba que todos os meus erros foram tentativas de acertos, que nunca errei por não me importar, mas por me importar demais! Espero que você saiba que o amor às vezes faz com que façamos coisas exageradas e que isso faz parte de um sentimento assim tão profundo. Espero que você saiba que sempre fiz o que acreditava ser o melhor pra você. E que, não importa se um dia você reconheça meu esforços no fim das contas, só o que me importa nessa vida é que você seja imensamente feliz! Porque não posso ser mãe de todas as crianças do mundo, mas posso fazer o meu melhor pra que você seja uma das crianças mais felizes do mundo.
Mamãe te ama.